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Oficial de Justiça utiliza videoconferência para realizar intimações em unidade prisional

Uma experiência realizada pelo oficial de justiça Elvis da Cunha Pereira, da Comarca de Novo Gama, abre uma nova possibilidade para o cumprimento de intimações no sistema prisional. Pela primeira vez, segundo o servidor, o recurso de videoconferência foi utilizado em Goiás para essa finalidade, permitindo que o ato fosse realizado de forma remota, com o apoio da estrutura disponibilizada pela Secretaria de Segurança Pública.
A experiência foi realizada por meio do sistema de agendamento de atendimento nas unidades prisionais e da plataforma de videoconferência. Para Elvis, além de representar uma alternativa ao modelo tradicional de cumprimento do ato, a ferramenta trouxe mais agilidade e praticidade à atividade.
“Foi a minha primeira experiência com esse recurso e, até onde tenho conhecimento, fui o pioneiro a utilizá-lo no Estado”, afirma. Segundo ele, mesmo sendo uma ferramenta nova, o sistema apresentou bom desempenho. “Ele cumpriu bem o que se propõe e trouxe agilidade e praticidade ao cumprimento das intimações.”

Como funciona
Para utilizar o recurso, o oficial precisa inicialmente estar cadastrado na Secretaria de Segurança Pública e ter acesso ao aplicativo utilizado para o agendamento nas unidades prisionais.
Após a liberação do acesso, o oficial realiza o agendamento informando o nome da pessoa privada de liberdade e selecionando a unidade prisional. O sistema apresenta as datas e os horários disponíveis para atendimento.
No momento do agendamento, também são anexados os documentos necessários ao cumprimento do ato, como o mandado de intimação e, conforme o caso, sentença, denúncia ou outros documentos relacionados ao processo.
Após o agendamento, a unidade prisional disponibiliza um link para a videoconferência. No horário marcado, o oficial acessa a sala virtual e o custodiado é conduzido pelos servidores da unidade até o local destinado ao atendimento.
Na experiência realizada por Elvis, a videoconferência foi feita por meio do Zoom, utilizando um tablet. Durante o atendimento, foi realizada a intimação e o documento foi assinado pelo próprio sistema. Na sequência, o oficial recebeu o documento assinado e certificou nos autos a realização da intimação por videoconferência, bem como o envio dos documentos pelo sistema utilizado pela unidade prisional.

Celeridade e economia processual
Para o presidente do SINDOJUS-GO, Moizés Bento dos Reis, a utilização da tecnologia pode representar um avanço na realização de citações e intimações de pessoas privadas de liberdade, especialmente pela possibilidade de reduzir deslocamentos dos oficiais de justiça.
“A inovação, ocorrendo dentro daquilo que está sendo pretendido, trará muita celeridade aos mandados e também economia processual, uma vez que facilita para o oficial de justiça ter esse contato direto com o preso sem precisar fazer esse deslocamento”, destaca.
Segundo Moizés, a ferramenta pode ampliar ainda mais essas possibilidades ao permitir, por exemplo, que atos destinados a pessoas privadas de liberdade sejam cumpridos por oficiais de justiça de outras comarcas, sem a necessidade de deslocamento.
“Isso traz uma modernidade no cumprimento de citações e intimações de réu-preso, o que pode ser muito benéfico para toda a categoria. Suponhamos, por exemplo, que você vai poder fazer a citação e a intimação de uma comarca por outra sem ter que deslocar. Então isso traz um benefício grande”, afirma.
O presidente ressalta, porém, que a ampliação do uso da ferramenta dependerá também da capacidade de atendimento e da estrutura das unidades prisionais. “Resta agora saber se esse sistema, dentro da estrutura dos presídios, irá funcionar a contento, de não estender muito a agenda em relação à própria agenda dos presídios”, pondera.

Possibilidades para além dos presídios
Para Elvis, a experiência também demonstra que a utilização de recursos tecnológicos pode ampliar as possibilidades de cumprimento de atos de comunicação processual. A mesma lógica, avalia, pode ser aplicada em outros contextos, desde que os órgãos envolvidos disponibilizem equipamentos, conectividade e suporte técnico adequados. “Sem essa contrapartida, a ampliação do uso fica limitada”, explica.
A experiência também pode servir de referência para outros oficiais de justiça e comarcas que enfrentam situações em que o deslocamento até uma unidade prisional representa uma etapa adicional para o cumprimento de atos processuais.
Além de reduzir a necessidade de deslocamentos, a utilização da videoconferência pode contribuir para dar maior agilidade ao cumprimento de intimações, especialmente em situações que envolvem unidades localizadas a maiores distâncias da comarca de origem.