No dia 8 de março, quando se celebra o Dia Internacional da Mulher, o reconhecimento à contribuição feminina em todos os campos da sociedade ganha ainda mais relevância. No Poder Judiciário, a presença das mulheres tem sido cada vez mais determinante para ampliar a sensibilidade institucional, fortalecer a efetividade das decisões e aproximar a Justiça da realidade das pessoas. Entre essas profissionais, destacam-se as oficialas de justiça, que atuam na linha de frente da execução judicial, levando às ruas as decisões proferidas nos tribunais e transformando o direito escrito em realidade concreta.
Com preparo técnico, equilíbrio emocional e senso de responsabilidade institucional, essas servidoras enfrentam diariamente situações complexas, muitas vezes em ambientes de tensão ou risco. Ao mesmo tempo, levam para a função características que enriquecem a prestação jurisdicional, como sensibilidade social, empatia e capacidade de mediação. O Sindicato dos Oficiais de Justiça Avaliadores do Estado de Goiás (SINDOJUS-GO) reconhece e valoriza o papel desempenhado pelas mulheres da categoria, cuja atuação é marcada por profissionalismo, coragem e compromisso com a Justiça.

Para a oficiala Teresinha Aparecida, o conhecimento jurídico é fundamental para garantir segurança no cumprimento das ordens judiciais. “É mais segurança para quem cumpre a ordem e para quem recebe também, pois dessa forma o oficial tem maior capacidade de instruir a parte”, afirma. Segundo ela, a atuação exige transparência, base sólida nas decisões judiciais e firmeza técnica, sem permitir que o emocional interfira no cumprimento dos atos.

A oficiala Jaqueline Bezzi ressalta que o trabalho do oficial de justiça é essencial para a credibilidade do Judiciário. “Somos a cara do Poder Judiciário, o elo entre as partes e a Justiça”, destaca. Para ela, enfrentar os desafios cotidianos exige sabedoria, paciência e amor à profissão, além da integração entre prática e ferramentas tecnológicas que tornam a prestação jurisdicional mais eficiente.

A importância do preparo técnico também é destacada por Maria do Socorro Ramos Lopes, que lembra a exigência de formação jurídica para o exercício da função. Segundo ela, o papel do oficial de justiça é essencial para a efetividade das decisões. “Sem o oficial de justiça, a medida não se efetiva”, afirma. No contato com as partes, explica, muitas vezes é necessário também oferecer acolhimento. “Procuro conversar e dar suporte emocional para que a pessoa entenda que aquela situação não é o fim.”

Na avaliação da oficiala Carla Esperança, a atuação da categoria vai além do cumprimento formal das ordens judiciais. “Somos o longa manus dos juízes, seus olhos e até sua voz frente ao jurisdicionado”, explica. Ela destaca que a função exige preparo técnico, atualização constante e estabilidade emocional, já que os oficiais lidam frequentemente com situações de risco e pressão. Para ela, o reconhecimento institucional é fundamental para valorizar a atuação da categoria.

A rotina em campo também apresenta desafios imprevisíveis, como explica a oficiala Eliene Alves Borges Santos. Segundo ela, cada diligência é única e pode envolver diferentes reações das pessoas envolvidas. “A gente nunca sabe qual será a reação no momento do cumprimento do mandado”, relata. Para Eliene, a presença feminina no Judiciário ampliou o respeito e contribuiu para trazer novas perspectivas para a atuação institucional.

Na visão da oficiala Tamilla Rodrigues, a execução judicial eficiente é essencial para dar credibilidade às decisões judiciais. “Sem a atuação do oficial de justiça, o processo ficaria apenas no âmbito teórico”, afirma. Ela destaca que a presença feminina tem contribuído para tornar a Justiça mais sensível às realidades sociais, especialmente em casos que envolvem questões familiares. “A mulher transforma a forma como a Justiça é aplicada, tornando-a mais inclusiva e democrática.”

A oficiala Sheila Resende reforça que o trabalho exige preparo técnico constante e grande responsabilidade institucional. “Costumo lembrar de uma frase dita por um colega: o oficial de justiça é quem tira o direito do papel”, afirma. Para ela, a presença feminina na linha de frente da Justiça contribui para humanizar a atuação judicial, sem comprometer a firmeza necessária para o cumprimento das decisões.
Apesar dos avanços e da crescente presença feminina na carreira, desafios ainda persistem. Em um ambiente historicamente marcado pela predominância masculina, as oficialas de justiça enfrentam preconceitos, riscos no exercício da função e a necessidade permanente de afirmação profissional. Ainda assim, seguem desempenhando seu papel com determinação, responsabilidade e coragem.
Neste Dia Internacional da Mulher, o SINDOJUS-GO reafirma seu reconhecimento e respeito às oficialas de justiça que, com competência e dedicação, ajudam a construir uma Justiça mais efetiva, humana e próxima da sociedade. Mais do que cumprir mandados, essas profissionais contribuem diariamente para garantir que os direitos saiam do papel e alcancem a vida real das pessoas.



